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  • Foto do escritorJuliana Couto Melo

Sucção não nutritiva: qual a vantagem do bebê ter sempre leite na boca?

Quem amamenta já sabe, mesmo quando o bebê é recém-nascido: em algum momento da mamada, o bebê vai começar a mamar com outro padrão de sucção. Dormindo, é uma mamada mais calma, lenta.


Muitas vezes, parece que o bebê já parou de mamar e com um pequeno movimento ele retoma a sucção, lenta ou vigorosa. Se vigorosa, com o tempo volta a ser calma. Muitas vezes, parece que o bebê vai soltar o seio materno.


Como será possível o bebê ficar mamando enquanto dorme? Afinal, por que isso acontece? Isso significa que a mãe não tem leite suficiente? Isso significa que seu leite é fraco?


Nem uma coisa nem outra - para compreender se seu leite é suficiente para seu bebê, é importante que se compreenda como funciona a produção de leite e como ela é impactada por agentes externos, tais quais bicos artificiais e fórmula infantil eletiva.



Sucção não nutritiva: qual a vantagem do bebê ter sempre leite na boca?
A pequena Moana, que pratica sucção não nutritiva à vontade. Foto: reprodução/cedida pela mãe, Ana Carolina.

O que acontece, de fato, é um fenômeno conhecido como sucção não nutritiva, que acontece quando o bebê “se agarra” ao peito para se sentir seguro, se acalmar ou relaxar e não necessariamente para se alimentar.


Como nesse momento não há sucção mais profunda e longa, com deglutição frequente, não há tanta saída de leite e, portanto, considera-se que acaba não sendo nutritiva (pensando em alimentação).


Mas a realidade é outra. E a natureza humana é sábia.


Relato de sucção não nutritiva: Ana Carolina e Moana



Sucção não nutritiva: qual a vantagem do bebê ter sempre leite na boca?
Ana Carolina amamentando Moana. Na piscina? Sim, senhora! Foto: cedida pela mãe.

Por isso, vamos ver o relato de Ana Carolina, que faz parte da Matrice e é mãe da pequena Moana. Seu relato (ago/2023) é esclarecedor:

"Aqui a Moana começou a fazer “sucção não nutritiva” com mais frequência com uns 15 dias, depois que acertamos bem a pega dela. Ela ficava uns 40 minutos no peito e mais da metade era sucção não nutritiva. Eu sempre tive muito leite e sei que essa sucção manteve isso. Além do tanto de peso que minha filha ganhou, por isso coloco entre aspas. Moana dobrou de peso em 2 meses. Até hoje, já com quase seis meses, ela faz, normalmente bem menos tempo. Ela dorme mamando e às vezes fica uns 10/15 dormindo no peito só na sucção não nutritiva. Eu levo de forma muito leve, acho muito gostoso ser esse conforto para ela. Eu até fiz uma consulta com a Fabiola Cassab com um mês de vida da Moana, porque ela cresceu muito rápido e perdi o jeito de colocar ela no peito, e uma das coisas que falei foi isso, ela faz muita sucção não nutritiva, mas achei engraçado o nome porque mesmo sendo uma sucção fraca sempre tem leite na boca dela! O leite continua saindo até hoje nessa sucção".

Afinal, qual a função da sução não nutritiva?



Sucção não nutritiva: qual a vantagem do bebê ter sempre leite na boca?
Ana Carolina é mãe de primeira viagem e membro da Matrice, grupo de apoio ao aleitamento, além de fazer parte no Facebook, também frequentas reuniões presenciais.

O impacto na produção de leite materno. Isso porque ao sugar o seio da mãe, o bebê, mesmo sem se alimentar diretamente, mantém a liberação dos hormônios prolactina e ocitocina, que participam ativamente no processo da amamentação.


O corpo da mulher não identifica se a sucção é ou não nutritiva pelos hormônios. A sução não nutritiva cria uma espécie de memória no corpo da mulher: toda vez que isso acontece, leite precisa ser produzido.


A extração do leite, porém, se dá na mamada, na pega, na deglutição. Ou seja, o corpo entende que a produção de leite precisa ser mantida de forma contínua. Se há mamada, há manutenção de produção. Aliás, permitir que a sucção não nutritiva aconteça, sem retirar o bebê assim que ele dorme, sem interromper o processo de sono e peito e dorme e acorda é vantajoso para mulheres com baixa produção. A sucção não nutritiva ajuda a armazenar leite nas glândulas mamárias. Pouco, de fato, porque leite é fábrica, não estoque. Mas há um leite residual, uma memória, armazenada. Na próxima mamada ativa, o bebê vai dar o restart nesse processo. O resultado a gente já conhece: bebê dormindo muito relaxado, esparramado no colo da mãe.



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