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BEBÊ NÃO VICIA EM COLO

Separamos um trecho do livro Bésame Mucho, Carlos Gonzáles, para você ler.


"Os macaquinhos recém-nascidos agarram-se ao pelo da mãe com as mãos e pés e ao mamilo com a boca, e assim viajam de árvore em árvore, seguros com seus cinco pontos de apoio. Os chimpanzés e os gorilas parecem-se tanto conosco que o recém-nascido não é capaz de agarrar-se à mãe. Ela tem que carregá-lo com um braço para que ele não caia, mas somente durante as primeiras duas ou três semanas. Depois, é o filhote que se agarra sozinho. Com que idade você se atreveria a levar seu filho dependurado, sem slings nem mochilas, sem segurá-lo com uma mão e pulando de árvore em árvore? Não há nenhum outro animal sobre a face da terra que precise de mais de um ano simplesmente para se agarrar à sua mãe.

Quando não existiam panos nem cordas, e muito menos carrinhos, as mães levavam os filhos no colo o dia inteiro, na maioria das vezes segurando-os com o braço esquerdo enquanto o direito ficava livre para comer (ou o contrário, se a mãe era canhota).

Os bebês provavelmente mamavam em chupadas curtas e muito frequentes, como os bosquímanos atuais, várias vezes por hora (a sucção tão intensa inibe a ovulação e a maioria das mães só tinha um filho a cada três ou quatro anos). Nos momentos de descanso, a mãe sentava-se com o bebê no colo ou deitava-se no chão com o bebê em cima.


À medida que ia crescendo, o filho precisava menos da mãe e também pesava mais. A avó, o pai ou os irmãos mais velhos provavelmente ajudavam a mãe no transporte. É quase certo que os bebês estavam cada minuto das 24 horas do dia em contato físico com outra pessoa, quase sempre com a mãe, até que começavam a engatinhar. E até vários anos depois estavam em contato físico, se não as 24 horas, pelo menos uma boa parte do tempo. Até mesmo as crianças de três ou quatro anos, que podem andar durante um bom tempo, tinham que ir no colo se a tribo se deslocasse por vários quilômetros.

Assim, durante milhões de anos a evolução natural favoreceu aquelas crianças que gostavam de ficar no colo e ficavam bravas se eram deixadas sozinhas. Era uma questão de sobrevivência."


Bésame Mucho, Carlos Gonzáles, página 67.


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