• Juliana Couto Melo

Amamentação + UTI: relato de uma mãe que conseguiu amamentar!




Por Meri Pires, mãe da Matrice


Vim aqui dar o meu relato de amamentação exclusiva vencendo uma UTI cheia de intervenções.

Meus gêmeos nasceram prematuros, de 34s +4, dia 19/01, de parto natural.

O meu G1 mais pesado - 2100g, ficou no quarto comigo enquanto o G2 1800g foi pra UTI Neo só por causa do peso (no hospital que os tive acima de 1900g fica no quarto).


Primeiro que eu fiz um plano de internação na UTI (posso compartilhar com quem quiser!) onde eu deixava claro minha vontade de amamentar de forma exclusiva, ao seio, citando o ECA onde aponta o meu direito de acompanhar meu filho internado, destacando que eu não permitia uso de bicos e dava alternativas a alimentação (uso de copinho, colher dosadora ou finger feeding) então meu marido junto com a pediatra da sala de parto (nossa pediatra pró-amamentação) entregou e anexaram no prontuário dele.


É um hospital intervencionista, cesarista, bebês saudáveis ficam no berçário, onde a alimentação é via chuca/mamadeira, onde a chupeta é ofertada sem distinção. O incentivo à amamentação é fake! Todas as mães são “incentivadas a amamentar, mas precisam dar fórmula na chuca” e todas sem exceção não conseguiam amamentar por mais de 5 minutos, pois o bebê não “aceitava mais o peito”.


Esse foi o cenário que encontrei.


No mesmo dia de parida foi permitido que eu o amamentasse na UTI, porém depois de 18h não me era mais permitida entrada até as 9h do dia seguinte...


Se eu quisesse amamentar meu G2 deveria ir das 9-10h, 12-13h, 15-16h e 17-18h. Busquei então o lactário, onde eu poderia ordenhar meu leite e deixar pra ele beber nos horários que não posso amamentar.


Foi então que comecei a ordenhar colostro, depois leite e foram 13 dias de UTI assim.

Depois que eu tive alta eu fiquei indo ao hospital todos esses horários pra amamentar e deixava 160ml de leite ordenhado para os 4 horários da noite.





Eu era a única que fazia isso naquela UTI, e na primeira semana TODOS os dias tentaram minar minha amamentação, começaram por me mostrar que por eu recusar a chuca eles estavam alimentando meu filho via SONDA NASOGÁSTRICA! Sim!

Meu filho saudável com uma sucção excelente via sonda, pois eles não usam copinho nem outra forma via oral lá! Então veio psicóloga, fono, médica, técnica de enfermagem me dizer que a chuca era o melhor pra ele! Escolher entre um procedimento invasivo com um potencial de contrair uma infecção e uma chuca: rolou chuca por 10 dias todas as noites.


Depois veio o terrorismo com a chupeta: a primeira me disse que o choro deixava outros pais constrangidos... respondi que “bebês choram!”. Outro dia falaram que ele chorava até cansar sem chupeta! Essa peguei na mentira, pois eu perguntei a fono que era diária e ela falou que ele era super tranquilo que dormia até eu chegar. Na incubadora do meu filho e depois no bercinho era o único com o bilhete da foto que eu guardei pra me lembrar dessa luta “Não dar chupeta a pedido da mãe” e mesmo com esse bilhete eu cheguei e tinha uma chupeta cuspida dentro da incubadora.


Mais uma que escutei: pelo fato dele mamar peito gastava mais energia e por isso ganhava menos peso e isso faria ele ficar mais tempo lá. Ele ganhou uma média de 30/40g por dia depois que começou a ganhar!

Também teve meu LMO sendo jogado fora... 35ml indo pro ralo, pois mandavam nos horários que eu estava lá pra amamentar. Fui eu pela 3ª vez implorar no lactário pra observarem as anotações na planilha... (sim, tinha uma planilha pra você marcar os horários que iria amamentar). Descobri por acaso.


Teve de tudo um pouco!

Eu amamento há 5 anos, e todos os profissionais lá mexeram tanto com meu psicológico que eu começava a duvidar de tudo que sei.

Enquanto isso tinha o G1!


Amamentava ele em LD, ordenhava leite pra ele na hora do almoço e a noite, amamentava ele madrugada a dentro e meu leite ordenhado era oferecido pelo meu marido na colher dosadora. Para que meu G1 não perdesse muito peso, eu levei a minha bomba e ordenhava colostro dentro do quarto desde que pari e não deixava passar de 2h para amamentar ele e ainda complementava com meu LMO usando o que eu consegui por lá - uma colher de plástico de sobremesa. Com isso meu leite começou a descer no 2º dia.


Essa rotina louca, exaustiva física e psicológica terminou dia 01/02, quando conversei com a chefe de enfermagem e a chefe médica que iria tirar meu filho à revelia.


Foi então que elas decidiram dar alta para ele por 2 motivos: não pega bem para o hospital uma alta à revelia e porque “eu tinha experiência com amamentação e viram o meu empenho, além de fazer o acompanhamento de perto com a nossa pediatra” - que comprou o barulho conosco!

Finalmente minha saga acabou e estamos nós todos em casa!

Essa luta contra a indústria do desmame é cruel, é desumana! Em UTI Neo então de hospital que não segue os protocolos amigo da criança o desmame é quase certo!


Eu venci essa batalha, mas infelizmente não pude mudar algo para ajudar outras mulheres.

Seguimos agora amamentando 1+2!

Nós podemos!

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